Alguns pensamentos sobre “Notas da xícara maluca”

                                   

“Notas da xícara maluca”, do N.D. Wilson, é diferente de qualquer livro que já li. Tenho pena do publicitário que terá de fazer um pequeno recorte sobre ele.

Como alguém o descreveria?

De olhos arregalados, como o desafiador e exuberante prazer de rodar nessa xícara maluca chamada Terra, passando por suas quatro estações?

Como zombar na cara de um ateu ou do seu deus Big Bang?

Como uma defesa em voz alta do bom e soberano Deus, em um mundo mal e de dor?

Como uma poética exploração da eucatástrofe?

Como um tratado do evangelho em tempos pós-modernos?

Como tudo isso.

Se eu tivesse de resumir o livro em uma palavra, eu escolheria provocativo – no sentido antigo da palavra provocar, estimular e incitar. Provocar para que? Para ver, sentir e cheirar a glória em nossa volta.

Wilson é um daqueles literalistas – ele leva Salomão e Jesus a sério, quando eles falam para “observar as formigas” e para “considerar os lírios do campo”. Wilson não os encara por apenas alguns minutos ou olha no Wikipedia. Ele reúne as crianças e suja o queixo em um delicioso e obediente estudo.

E ele faz o mesmo com temas como céu e inferno, evangelho e tristeza, extraordinário e descrença.

O resultado – para aqueles de nós dispostos a seguirem o paradoxo de ser como criança, porém sem ser infantil – é que nos sentimos, por alguns momentos, como peixes sendo tirados da água, podendo, por fim, ver com novos olhos o que, há muito tempo, temos tido por garantido.

Calvino escreveu como os poderes de Deus são retratados para nós: como uma pintura da qual fazemos parte, desfrutando do teatro da glória de Deus, e que o mundo criado é um espelho da divindade de Deus. Se você quer uma fiel e criativa explicação do que essa exploração significa, Notas da xícara maluca ajudará você a desfrutar o passeio!

Publisher’s Weekly recentemente fez um ótima crítica:

Segure sua respiração e jogue suas mãos para o alto! Esse passeio teológico emociona com um colorido esguicho de profundas e profundamente divertidas meditações sobre a criação, a existência e Deus. Influenciado por sua fé cristã evangélica, Wilson (Leepike Ridge) usa um estilo envolvente e casual neste caderno pessoal de pensamentos espirituais, enquanto ele oferece aos leitores um pedaço de seu mundo de maravilhas sem remorso. Ao girar pelas páginas, reflexões sobre filósofos, teólogos, sanguessugas e gatinhos oferecem uma nova perspectiva deslumbrante sobre as luzes brilhantes e cantos escuros de nossa existência carnavalesca. O feito mais impressionante de Wilson em todas as suas rodopiantes reflexões é a sua permanente insistência no otimismo. Mesmo quando encara a morte, ele alegremente conclui que ele terá, então, a admissão para o “radical passeio” da imortalidade. De fato, Wilson se destaca com seus argumentos elegantemente intrincados sobre a esperança: até um rato pelado importa. Sim, a prosa frequentemente sacode e dá voltas pela trilha do papel. Pode ser um passeio inquietante. Mas essa é a poesia da xícara maluca – a poesia de viver.

E essa é a explicação de Douglas Wilson para o livro:

O conceito do livro é que o sistema solar se assemelha a um brinquedo de um parque de diversões, com movimentos circulares dentro de outro movimento circular. Não só existem esses movimentos ao estilo do parque, como também temos o ambiente do parque, incluindo-se cores e situações espalhafatosas. O livro passa pelos quatro quadrantes de uma viagem em torno da circunferência, pelas estações (inverno, primavera, verão e outono). Não se sente emocionado, enjoado (ou ambos) no passeio quem, em nome do realismo, ignora com resolução tudo que se passa a seu redor — esse ignora o dia todo.

 

Ao serem expostos neste livro, os dons de Nate giram em torno de uma verdade básica. Ele conta com a mesma capacidade de Gilbert K. Chesterton: fazer coisas comuns parecerem extraordinárias e, então, de repente percebe-se não se tratar de um truque literário — as coisas ordinárias são extraordinárias. Por que não enxergamos isso com mais frequência? Sério: repare como é a noz, caramba.

 

A metáfora é uma rota retorcida e tortuosa que segue direto para a verdade. Algumas metáforas são tão complicadas que chegam lá de imediato. O livro está repleto delas.

 

Justin Taylor é o vice-presidente executivo de publicação e editor de livros da Crossway e dos blogs do Between Two Worlds

 


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Tradução: Victor Bimbato

Fonte: https://blogs.thegospelcoalition.org/