Maio 21, 2018

Fé. Esperança. Amor. (Jake Meador)

Um dos debates cristãos perenes é aquele entre escolásticos e pietistas. Os escolásticos creem que você conhece a Deus por meio de estudo teológico metódico e distinções cuidadosas. Para os pietistas, você conhece a Deus por meio da simples leitura da Bíblia e da piedade cristã básica. Os pietistas perturbam os escolásticos ao se recusarem a tratar de problemas teológicos complexos. Os escolásticos perturbam os pietistas gastando uma imensa quantidade de energia debatendo sobre quantos anjos podem dançar no topo de um alfinete, sobre o que, afinal, quem liga?

Idealmente, ambos os lados podem aprender algo do outro. Somos, afinal, chamados a adorar a Deus em verdade, portanto, debates sobre atributos divinos ou sobre as maneiras de Deus agir no mundo não são abstratas e sem sentido. Elas são essenciais para entender o caráter de Deus. Semelhantemente, lembretes regulares para prestar atenção nas Escrituras e nas simples disciplinas cristãs são frequentemente necessários.

O novo livro de Mark Jones, Fé. Esperança. Amor: o modo cristocêntrico de crescer na graça, é o tipo de obra que satisfaz ambos os grupos. Escrito num estilo catequético e organizado em torno de 58 questões, o livro trata tanto de debates reformados seiscentistas aparentemente obscuros quanto de questões práticas imediatas como por que o adultério é um pecado tão horrível e danoso à alma.

Douto e Prático

Por exemplo, Jones trata da questão: “A fé é a nossa justiça?” Ele começa com uma discussão sobre os debates seiscentistas que tiveram por estopim o teólogo reformado Jacó Armínio, cujos ensinos hoje conhecemos por arminianismo. Olha o que Jones diz:

Para Armínio, por causa da graciosa estimação de Deus, ele credita a nossa fé como nossa justiça. A justiça de Cristo não é imputada para os crentes, segundo o Armínio tardio pelo menos… Fé imperfeita, então, é aceita pela graciosa estimação de Deus como justiça. Ou, colocando de outra forma, o ato humano de fé é, pela graça, contado como justiça evangélica, como se fosse o cumprimento completo de toda a lei, mesmo não sendo. Esse ato humano genuíno provém da habilidade de escolha.

Qual é o problema do arminianismo? Deus declara um pecador justificado não por causa da justiça imputada de Cristo recebida pela fé, mas por causa da fé contada como justiça. O fundamento da justificação é a minha fé, não a justiça de Cristo.

E por que importa que o fundamento da nossa justificação seja a justiça de Cristo e não a nossa? Jones responde posteriormente no capítulo:

Podemos ter a maior confiança, então, de que no juízo final entraremos na glória. Por quê? Porque realmente possuímos a justiça de Cristo. Deus não vai, na verdade, não pode, negar o que é nosso por direito por meio de Cristo Jesus.

Colocando de outra forma: Deus somente nos barraria no céu se ele estivesse pronto para excomungar o seu próprio Filho do céu. Tão seguro quanto Cristo está no céu, está o seu povo. A fé, então, é a dádiva graciosa que nos capacita a ter tal confiança em Cristo.

O que começa com uma explicação de um debate que pode parecer acadêmico e longe das realidades da vida cristã se revela como uma segurança imensamente prática de salvação.

Nesse sentido, o livro de Jones tem o tipo de riqueza e profundidade devocional associadas com os puritanos setecentistas que ele mesmo conhece tão bem, tendo feito a sua tese de doutorado em Leiden sobre a cristologia de Thomas Goodwin.

Aguardando com Esperança

Este livro também oferece esperança para tempos turbulentos quando transitamos para uma esfera pública mais hostil à fé cristã. De fato, mesmo as “vitórias” que os cristãos americanos reivindicam ter só são possíveis porque os evangélicos escolheram ter vários aspectos grandemente comprometidos. Quer seja o estado degradado da Direita Religiosa ou a contínua batalha acerca da liberdade religiosa ou a maré de apoio para o casamento homossexual e a aceitação mais ampla do transgenerismo, está claro que a igreja americana enfrenta imensos desafios em múltiplas frontes. Os cristãos precisam de esperança.

Jones trabalha a ideia de esperança cuidadosamente, indo de questões básicas sobre a sua definição até o seu papel geral na vida cristã, depois para o seu papel durante tempos de luta e provação, e finalmente terminando com a questão: “Quais deveres fluem da esperança cristã?” A abordagem abrangente da virtude, no que se relaciona às fases da vida e à ética, é extremamente útil, assim como são as suas respostas em capítulos específicos.

Enquanto escrevo isto, a minha família está a um dia do segundo aniversário do trauma cerebral do meu pai que quase o matou e dramaticamente mudou a vida dos meus pais. Durante o período imediatamente posterior a esse incidente, a minha mãe e eu passamos o Advento esperando por notícias, aguardando para saber se ele sequer poderia acordar. Durante esse tempo, nos seguramos na esperança de que, porque Cristo ressuscitou e porque meu pai está em Cristo, ele também ressuscitaria. Há uma interação entre aguardar e ter esperança. Se é para fazermos o primeiro bem, precisamos cultivar o segundo como virtude. O livro de Jones nos ajuda a fazê-lo de forma que, não importando a tormenta que enfrentemos, possamos esperar em Cristo.

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Tradução: Guilherme Cordeiro

Jack Meador é vice-presidente do Davenant Institue e editor do Mere Orthodoxy. Ele vive em Lincoln, Nebraska, com sua esposa Joie, sua filha Davy e seu filho Wendell. Jake já escreveu também paraChristianity Today, Fare Forward, University Bookman e outros.


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