As Coisas da Terra de Joe Rigney – por Andrew T. Walker

Eu amo música e filme. Não são simplesmente passatempos com os quais me envolvo. Aprecio oportunidades de ouvir músicas que sintonizam minhas afeições de diversas maneiras. Mergulho em filmes cuja narrativa e desenvolvimento são tão profundos, que fico triste quando acabam. Saboreio a criatividade do espírito humano. Esta resenha, no entanto, não é sobre a prudência de ver ou deixar de ver certos filmes, ou de ouvir ou não certas músicas. O livro em questão – As Coisas da Terra, certamente ajudará as pessoas entenderem o porquê devemos apreciar tudo.

As Coisas da Terra é um exercício de hedonismo aplicado ao Cristianismo, isto é, investiga a apreciação da criação e da cultura pelas pessoas alcançadas pelo Evangelho. O livro toma como centro o tema que se tornou associado ao John Piper: espalhar a paixão pela supremacia de Deus em todas as coisas.

Pores do sol e bacon

Rigney, professor de Teologia e de Cosmovisão Cristã no Bethlehem College and Seminary, em Minneapolis, Minnesota; deseja mostrar como é uma vida centrada em Deus em sua rotina e em suas experiências diárias – como nós desfrutamos as coisas da Terra? Como Deus maximiza o prazer em coisas como uma abóbora crocante, guerrinha de cócegas com nossos filhos e pores do sol do oeste do Texas? Sim, você leu certo: guerrinha de cócegas. E por que o bacon é evidência da bondade de Deus?

A resposta é provida na teologia filosófica de Jonathan Edwards e C.S. Lewis. Rigney não diz que baseia seus argumentos em teologia filosófica, mas é o que está acontecendo, e ele o faz de maneira hábil e intrigante. Os prazeres físicos, os prazeres sensíveis, os prazeres emocionais e os prazeres relacionais vêm a nós como parte do mais alto dever do Deus trino, por amor a ele mesmo – “comunicar e estender sua plenitude para fora de si ou, para usar outra imagem, convidar as criaturas a participarem de sua própria vidatrina” (31). Rigney prossegue a explicação: “Deus se glorifica ao nos convidar para participar de sua plenitude trinitária, ao estender sua glória, para que sua vida divina comece a existir em forma de criatura” (41).

Celebrando a teologia encarnada

Olhando pra trás, Coisas da Terra me ajudou a entender uma história recente da minha vida de forma mais visceral. Em uma viagem a negócio, ouvi o discurso do David Brooks, no The Gathering, intitulado Como ser religioso na praça pública. O discurso é formidável, mas, ao ouvi-lo, me desmanchei com a beleza da história sobre o dia em que Dorothy deu à luz. Ela escreve:

“Se eu tivesse pintado o maior quadro, se eu tivesse esculpido a maior escultura ou escrito a maior sinfonia, eu não teria sentido tanto o meu exaltado criado como quando segurei meu filho em meus braços. Com isso, eu tive de louvar e adorar.”
Eu nunca dei à luz a uma criança, mas tenho duas filhas. O livro de Rigney ajuda a pensar e a explicar como filhos a profunda glória que provêm das coisas da Terra. A resposta não é menos que o próprio Deus se manifestando no ininteligível de sua glória e experiências tangíveis.

Três distinções

Como devemos avaliar Coisas da Terra em um evangelicalismo mais amplo? Primeiro, devo admitir que não esteja ciente de outro livro que busque alcançar o que Rigney está discutindo aqui. Vejo poucos livros evangélicos que ofereçam uma popular, mas ainda complexa narrativa sobre profundas realidades filosóficas, teológicas e estéticas. O conteúdo é acessível, porém requer uma leitura de perto. Isso serve tanto como um alerta como uma inspiração.
Segundo, Rigney deve ser elogiado pelo uso de sua teologia narrativa. A abordagem em forma de narrativa da Escritura tem ressurgido no interesse dos campos da teologia, porém nem sempre é precedida de um adjetivo vital: bíblica. O arco narrativo de Coisas da Terra prioriza a autoridade das Escrituras e nos ajuda a ver as atividades de Deus através das lentes da história e da participação.

Terceiro, o que mais me impressionou foi o conhecimento que o autor tem da teologia da Trindade que foi sua base. Infelizmente, a doutrina da Trindade continua sendo pouco estudada e pouco enfatizada nos trabalhos populares do evangelicalismo dominante. A obra é uma contribuição bem-vinda para essa doutrina vital.

Defesa do belo

Eu recomendo fortemente Coisas da Terra, um livro familiarizado com a profunda verdade sobre as coisas ordinárias – estas que estão à nossa volta e com a capacidade de ver o mundo não somente em tons de cinza, mas com uma explosiva visão multicolorida.

Andrew T. Walker é diretor de estudos de política da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa da Southern Baptist Theological Seminary. Você pode seguir segui-lo no Twitter: @andrewtwalk

 

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Tradução: Victor Bimbato

Fonte: https://www.thegospelcoalition.org/article/the-things-of-earth